segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uni[Verso]

Mônadas Alvíssimas
Lentamente pulsam
Vidas movediças
Nas tramas que se edificam

Em um silêncio marrom
Algo quente que borbulha
Na primeira instância do som
Simétrico triz de fagulha

Já são dois na imensidão
É um estranhamento
A primeira visão
Estremecimento

O primórdio:
Da Dor
Do Som
Da Cor e Ódio

O Amor é tardio
Tem luxo e abundância
É vencimento lascivo
Tudo ainda vem de longa distância

No infinito que é sonho
Deu-se música
Deu-se beleza
Reflexivamente escoa e ecoa

Em todas ondas roxas
Nas faixas sonoras escuras
Todos lamentos e sorrisos
Ascendem e descendem mundos
(José Humberto Ribeiro)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mosaico Abstrato 2 (Nando Reis)... espetacular!!


Todo sonho é feito de estilhaços
Do que o olho crê
Que a imagem
Faz no espaço,
E o tempo encontra
No ar que passa
Invisível,
Peso e cor

Todo encontro é o jeito do acaso
Achar no sonho
Uma miragem
Onde o oásis
Água inventa
O mar do nada é
Impossível
Erro e dor

E o que estava longe está aqui
dentro e tão perto
De um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim
Beijo e abraço
No tempo que passa
Lento e à jato

No gesto que toca
A gente na alma
No modo, dois jeitos
Mas diferentes
É que somos
Iguais

Livros lidos
Discos preferidos
Filmes vistos
Sempre
Um Sinal

Indo e vindo
vivo ouvindo
O instinto
Mesmo quando
Eu não entendo nada
Eu não entendo nada
E eu não entendo nada
Só o que diz
O lábio no beijo
No sopro
A paixão

domingo, 26 de julho de 2009

Revelação

Inspiro
Uma
Luz:
Desce,
Acende e ascende,
Ilumina,
Aquece
Queima
O negativo
Revela
Meu mistério
Para ti...

(J.H.R)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vontade....


"Este mundo: uma imensidade de força sem começo e sem fim, uma massa de força compacta como o bronze, que não se torna maior nem menor, que não se consome mas se transforma, um todo de uma grandeza invariável, uma economia sem dispêndio nem perda, mas sem ganho nem acréscimo, cercado do "nada" como limite, sem nada que se dissipe ou desapareça, sem nada de infinitamente extenso; força determinada encerrada num espaço determinado, e não num espaço que estaria de alguma forma "vazio", mas força que é em toda parte um jogo de forças e de ondas de forças ao mesmo tempo unas e múltiplas, acumulando-se aqui, diminuindo lá, um oceano de forças desencadeadas contra elas mesmas e flutuantes, eternamente em mudança, eternamente em recuo, com longos anos de retorno, com o fluxo e o refluxo das formas que vão das mais simples às mais complexas, das mais calmas, frias e congeladas, às mais ardentes, mais selvagens e mais contraditórias, voltando depois da profusão à simplicidade, do jogo dos contrastes ao desejo de harmonia, afirmando-se ainda nesta identidade dos percursos e dos anos, consagrando-se ele mesmo como o que deve retornar eternamente, como um devir que não conhece saciedade, nem desgosto, nem lassidão [...] Este mundo é o mundo da vontade de poder e nada mais." (F. Nietzsche)

domingo, 12 de julho de 2009

Para a Amiga Gall

TEU DENTRO, GALL

Um ácido
Protéico
Desliza e amansa
Adrenalinas finas
Agitam e contorcem
O corpo sabe
Peles Avisam
A boca suga
Substâncias descem
Circulam
Luzes acedem
Explodem
Lisura no rosto
Calma
Boca contrai
Sorriso
Lá dentro todos se olham
Prazer, aproveitam
Não há medo
Lá fora, paisagem
Que dentro tem
Paz....


(J.H.R)

Atemporal

Atemporal

Não! Não digas nada
Apenas queira
Não! Não interprete
Sinta apenas

Entre na deriva aqui
Não guio e nem conduzo
Também sou cego
Entendo de bem poucas coisas

Sim! Sinto
Posso isso contigo
No silêncio mais absoluto
Mesmo sendo a morte, me entrego

Já disse! Não duvido
As regras, as formas, meios...
As como diluídas
É aura com aura

Nada para enfeitar
Nada para ouvir
Sem antes, agora ou depois
É um paraíso: a dois...

(J.H.R)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

(Apesar de tudo, quer viver!!!) - Memórias do Subsolo - F. Dostoievski

"Não consegui chegar a nada, nem mesmo tornar-me mau: nem bom nem canalha nem honrado nem herói nem inseto. Agora, vou vivendo os meus dias em meu canto, incitando-me a mim mesmo com o consolo raivoso - que para nada serve - de que um homem inteligente não pode, a sério, tornar-se algo, e de que somente os imbecis o conseguem. Sim, um homem inteligente do século dezenove precisa e está moralmente obrigado a ser uma criatura eminentemente sem caráter; e uma pessoa de caráter, de ação, deve ser sobretudo limitada. Esta é a minha convicção dos meus quarenta anos. Estou agora com quarenta anos; e quarenta anos são, na realidade, a vida toda; de fato, isso constitui a mais avançada velhice. Viver além dos quarenta é indecente, vulgar, imoral! Quem é que vive além dos quarenta? Respondei-me sincera e honestamente. Vou dizer-vos: os imbecis e os canalhas. Vou dizer isto na cara de todos esses anciães respeitáveis e perfumados, de cabelos argênteos! Vou dizê-lo na cara de todo mundo! Tenho direito de falar assim, porque eu mesmo hei de viver até os sessenta! até os setenta! até os oitenta!.... Um momento! Deixai-me tomar fôlego..."