sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eu da coisa do Eu

Sou uma coisa
Sem garra
Sem ventosa
Sem presa

Sou a coisa
Com gênero
Com efeito
Efêmero

Sou como coisa
Passiva
Estável
Redimida

Sou descendente da coisa
Que sabe de si
Que espera de mim
A coisa em si

Da coisa que sou substantivo
Sem nome
Próprio ou coletivo
Achado ou perdido

Sou a coisa desejada das coisas
Coisa adjetivo
objeto coisa
Coisa objetivo

Sou a coisa química
Atirada e suprida
Animada e tímida
Coisa anímica

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Miragem

Pego no ar
Tua essência
E sopro
Na secura da planície
E chove
Pisco
Lubrifico
E vejo
Oásis

J.H.R

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pairando sobre...

O Homem é uma corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre o abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar”.

Lembro-me bem desse aforismo em Zaratustra. Lembro-me também de um outro que é impactante, quando pensamos aonde queremos chegar. "Quanto mais alto mais perto do raio".

Acho que é isso que te agonia e a mim também. Sentimos como se não encontrássemos a linguagem apropriada, no meio de tanto burburinho.

A corda é diferente da ponte. Embora algo esteja nos ameaçando por debaixo. Acho que estou na ponte dando as mãos e não encontrando nada do outro lado. Se os pensamentos são pálidos? Absurdamente sem sentido!

Muito já foi dito que fomos colocados aqui de maneira inversa. A cada dia penso na hipótese de chegarmos velhinhos e ir rejuvenescendo aos poucos, como o Chaplin dizia, que a morte seria um orgasmo.

O meu processo é um pouco pela procura de uma felicidade e paz comigo mesmo. O desejo de me encontrar com o outro (na ponte ou na corda), no sentido do encontro entre inteiros. Infelizmente ainda não se serei capaz ou se desejo mesmo. No fundo, eu temo o raio! Temo?

É assim que sinto e entendo o nu. Mas você sabe e não se veste.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nem sei se sei...

Viver é a maior prática da teoria do acabamento. Pega-se, experimenta-se. Sendo você mesmo a proposta, o alvo, a comprovação laboratorial, porém impossível de repeti-la. Nada mais Absurdo!

Enquanto há tempo, te dou as mãos.

J.H.R

sábado, 7 de maio de 2011

Entendendo nada...

Foi preciso me render a essa afinação de tons que faço nos olhos.
As cordas ainda vibram e bagunçam a minha visão.
Tem sido difícil manter-me sustenido.
Se me quer em tom menor,
Cante um blues para mim
Que os olhos já estão marejando...

J.H.R

domingo, 24 de abril de 2011

Eu chego lá???

Eu quero me render às palavras. Entender que não alcanço o vácuo. Meu lugar inominável. Ausente, etéreo e perfeito. Perfeito apenas porque não é pronunciável. Conjugar é o meu forte. Força é defesa. Eu queria uma segunda chance com as palavras. Dar a elas o meu melhor. Mas elas são vaidosas e orgulhosas. A sua singularidade não existe e isso me perturba. A árvore dói! Eu quero a árvore em telepatia. É como música. Os instrumentos me falam diretamente. À melodia já me rendi. Faz o que quer em mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Diante dos olhos...

Eu queria compreender o cálculo estrutural da personalidade. Qual é o erro da equação que provoca a doença. Nada de científico, apenas mexer ali nos componentes dos afetos, desejos, traumas e perdas, força e poder. Mas para isso ainda quero o sujeito em movimento, com tudo isso sacudindo, visivelmente para mim, entendendo porque dá em Pisa e porque dá em Eilffel.


J.H.R