quarta-feira, 10 de julho de 2013

Aquela Família


Breves golpes visuais
Colocam seres caminhando
Em memórias reais
Crianças, pai, mãe, irmãos?
Quase fatais

Novelos
Gatos
Laços
Fitas
E os papéis naturais

Entreolham-se
Reconhecem-se
Distinguem-se
Mas uma gota de sangue
Pinga e escapa – certificam-se

A mãe
O pai
O filho
E o espírito do lar

Os breves golpes se vão
E a fenda se abre
Profunda, doída e em vão
Em cicatrizes, rugas e na circulação!

Aquela gota de sangue
Ressequido coágulo
O futuro aprisiona
Em eterno presente que não passa
Nós! Outrora...

J.H.R

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ensaios



Rasgue a roupa
Sinta todos os sons
Vibrantes
Tons
A fina pele essência flor
Deguste em ensaio
Daquele preparo
Entretanto
Nesse ato
Teatro
Aceite um desmaio
Feche os pulsos
Se não quer soluços
Ponha sal na língua
Pois vão cheirar suas flores de maio
Sem os buços quentes
Não há beijo que sustente
Assim – daquele outro lado
Com o mundo já girado
Baterá lábio com lábio
Ouvindo dentro si....
Aplausos.... (e longa pausa....)

J.H.R

domingo, 23 de junho de 2013

Tênues Sinais


Incitamos os sinos daquela igreja
Na dúvida, no amor e na incerteza
Garantia, nenhuma...
risos antecipam o transe de quem comunga
Incertos, os sinos respondem...
Dormem... dormem... dormem... dormem....

J.H.R

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Aos Enamorados...


Virou um longa-metragem
Fala ensaiada
Rostos em toda paisagem
Desejo vacilante em forma de saudade

Perfumes
Acordes
Vozes
Faces nas faces

Intuiu um coração
O outro sente a ilusão
Devolve grossa pulsação
Mistura-se fel e mel e perdão

Um partiu
Dois partidos
Um outro em solidão
Desencontros com precisão

Embora tudo negue e conspire
O turvo, distante e míope!
Cede à luz daquele filme
Aos pares e aos milhares, aquele longo desejo de grand finale.


J.H.R (12/06/2013)

quinta-feira, 21 de março de 2013


Novelos de Sonhos...

Velando
Aqueles veleiros
Em velas vacilantes
No meio dos Vultos vorazes
Sussurrando vozes
Nos ventos sombrios vindos
Vivificados, vilipendiados!
Na vontade – vasovagal –
De volver a verdade
Primitivas volitassem
Laureadas vis
Bis
Triz
Vãs vertigens
Da vida...

J.H.R

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Peixe


Num aquário o minimalista do existir
Toda essência pregada num corpo frágil
Essa fragilidade é aguda e aguçada:
Sem deus
Sem horas
Sem mortos
Sem fotos
Sem memória
Sem saudades
Sem monumentos
O peixe é forçado a uma alegria última:
A vertigem de uma silhueta de menina em duo.
As paredes de vidro tombam e o mundo escorre num corpo de mulher
Fecundo, amável...
Eis o mito


JOSÉ HUMBERTO

(Imagem de Nancy Takeshi)

terça-feira, 22 de maio de 2012


Venha aqui, meu bem, desliza na minha íris, deita no gelo, e verá a minha aurora boreal.